domingo, 12 de maio de 2013

Piaget e Vygotsky - Onde suas teorias divergem?

Piaget tinha formação em Biologia e defendia que a construção da aprendizagem é eminentemente epistemológica cientifica, livre das influências filosóficas ou ideológicas. Ele nunca se preocupou com o “como fazer”, portanto não se pode falar em métodos ou técnicas piagetianas. Vygotsky atuou como professor e pesquisador no campo das artes, literatura e Psicologia. A partir de 1924 aprofundou sua investigação no campo da psicologia, dirigido também para a educação de deficientes. Ele pesquisava processos de mudança na história do sujeito. As obras de Piaget são bem divulgadas mundialmente, já Vygotsky teve suas obras pouco traduzidas, embora sejam intensas.

A teoria de Piaget é cognitivista-interacionista. Para ele o sujeito constrói conhecimento interagindo com o meio, mas paradoxalmente. Ele acreditava que é pelo interior mesmo do organismo que se dá a articulação entre as estruturas do sujeito e as da realidade física. Dessa forma, ele se dedica mais ao polo do construtivismo, não se aprofunda na realização sujeito/sujeito. Já Vygotsky é contra as etapas do desenvolvimento individual apontada por Piaget. Dai sua preocupação de apontar a compreensão dos aspectos da dinâmica da sociedade e da cultura, em que o Histórico-Social interfere no curso do desenvolvimento do sujeito. Para ele a internalização de um sistema de signos produzidos culturalmente provoca transformações na consciência do homem individual sobre a realidade, ou seja, o homem assimila os valores culturais de seu ambiente.

Piaget aponta a superioridade das estruturas cognitivas em relação à linguagem. Procura abordar as mudanças qualitativas que passa a criança, desde o estágio inicial de uma inteligência prática até o pensamento formal, lógico dedutivo, que se dá a partir da adolescência. Para Piaget, todo indivíduo não consegue conceber o que se passa a sua volta de forma imediata, apenas com um simples contato com o objeto, vai depender da maturação biológica, experiências, trocas interpessoais e transações culturais. Vygotsky tem a preocupação de buscar a compreensão do sujeito interativo, pois acredita que a constituição do indivíduo se funda a partir das relações interpessoais. Com relação a linguagem e pensamento Piaget se opõe a ideia de que a linguagem seja responsável pelo pensamento.

Para ele a imagem mental nada mais é do que a imitação interiorizada, portanto a ação engendra a apresentação. Segundo Piaget a linguagem é indicadora de pensamento de um sujeito cognitivo, ficando de fora a efetividade. Ele também seculariza a linguagem. Já Vygotsky considera que é na relação dialógica entre sujeitos que o indivíduo descobre na palavra a possibilidade infinita de expandir a fala contextualizada para além de seus limites. Ele não prioriza o pensamento em detrimento a linguagem, pois sua análise parte da inter-relação entre ambos. A fala contem sempre um pensamento oculto, um subtexto, pois todo o pensamento encerra desejos, necessidade, emoções.

Após essa analise concluímos que Piaget vê o sujeito fundamentalmente epistêmico, portanto cognitivo, enquanto Vygotsky vê o sujeito fundamentalmente social, que se constitui na história e na cultura. Devemos ficar atentos ao questionamento de Vygotsky quando ele salienta que o aprendizado começa muito antes da entrada da criança na escola, cujo aprendizado escolar produz algo novo no desenvolvimento infantil. Consideramos que Vygotsky tenha ultrapassado Piaget no modo de conceber o desenvolvimento humano, isto porque, para Piaget o desenvolvimento do pensamento é a adaptação do indivíduo ao meio físico e social, enquanto para Vygotsky o desenvolvimento do pensamento é um processo essencialmente dialético, em que o sujeito transforma e é transformado pela realidade física, social e cultural em que se encontra.

A pedagogia de Freneit tem uma proposta mais próxima da teoria de Piaget, por acreditar que o processo de conhecimento se dê no processo de sucessivas construções. Freneit não mergulha em processos científicos e nem busca construir um método, o seu sonho é criar um movimento pedagógico de renovação da escola. Muitos julgam Freneit como um mero criador de recursos didáticos, um inventor de pacotes de atividades. Outros o consideram como um doutrinador comunista ou uma pessoa que apenas oferece um receituário desprovido de conteúdo ideológico.


Segundo a revista Nova Escola de 1994, os princípios frenetianos estão condensados no que ele chamou de invariantes pedagógicas, quase um auto-de-fé em 30 itens, em que o professor deve rever a cada ano para avaliar se está ou não evoluindo em sua prática. Falar de educação sem apontar Paulo Freire é como falar de amor sem paixão, de esperança sem sonho. Paulo Freire não gostava de ser apontado como criador de um método. Na visão dele, a verdadeira educação é aquela que não separa, em momento nenhum o ensino dos conteúdos do desenvolvimento da realidade.  

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