sexta-feira, 4 de julho de 2014

O Caminho para a Aquisição da Leitura

Para tentarmos entender um pouco mais desse processo pelo qual os indivíduos passam para aprender a ler e a escrever é necessário compreender que cada indivíduo possui uma hipótese de leitura. Telma Weisz diz que: "a aquisição da escrita se refere ao que poderíamos chamar de hipóteses de leitura, isto é, são as ideias que as crianças constroem sobre o que está ou não grafado em um texto escrito e o que se pode ler ou não nele". Esse caminho de hipóteses é percorrido não só pelas crianças, mas também pelos adultos e todos aqueles que estão aprendendo a ler.

Nas fases iniciais observamos que para muitos educandos as letras ainda não servem para substituir os objetos como normalmente acontece quando lemos. Depois que, para os indivíduos as letras se tornam em objetos substitutos, eles passam a pensar que tudo o que está escrito deve ser o nome da figura que o contém. Por exemplo, uma garrafa de refrigerante, qualquer nome que estiver sobre ela só poderá ser "refrigerante". Isso fica evidente quando perguntamos a uma criança o nome escrito próximo ou sobre uma imagem e ela responde carro, bicicleta e etc, fazendo sempre menção ao nome do objeto.

Isso ocorre de maneira bem sistemática assemelhando-se ao que Emília Ferreiro chamou de "hipótese do nome" pois, para uma criança que está no início do processo de alfabetização, o que se escreve são apenas os nomes dos objetos.

A ideia de que escrevemos tudo que falamos não é própria da alfabetização. Emília Ferreiro e colaboradores realizaram experimentos com crianças de vários países para tentar compreender a natureza dessa evolução entre o que está escrito e o que se pode ler. O que puderam observar foi que crianças de 4 a 5 anos pensam que apenas os substantivos precisam ser escritos para se ler um enunciado. Essa foi apenas uma das conclusões a que chegaram. 

Observemos que as ideias das crianças sobre o que esta escrito e o que se ler evolui e essa evolução depende da decifração ou do conhecimento das letras. Os educandos precisam resolver esses conceitos e contradições para poder considerar todas as partes de um texto. As dificuldades de interpretação vão sendo resolvidas a medida em que avança-se em direção a certeza de que se escreve tudo aquilo que se fala e na ordem em que as palavras são pronunciadas.
  
REFERÊNCIA
Programa de Formação de Professores Alfabetizadores - PROFA. Textos: M1U6T4 e M1U6T5

Nenhum comentário :

Postar um comentário