quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Não há silêncio que não termine - Ingred Betancorurt

Depois de meses de leitura terminei "NÃO HÁ SILÊNCIO QUE NÃO TERMINE" de Ingrid Betancourt. Você pode se perguntar... "Nossa! Se ele passou meses é porque o livro é chato". Não, o livro não é chato e a leitura também não é cansativa, apenas é um livro muito grande e por se tratar de um testemunho de vida e também não me pertencer foi que demorei tanto tempo. É um livro que nos inspira a valorizar mais a nossa liberdade pois fala do período em que Ingrid esteve no cativeiro. 

Ela é filha de uma tradicional família colombiana e é educada na Europa, porém resolve abandonar a segurança de uma vida confortável para dedicar-se aos problemas de seu país. Eleita sucessivamente deputada e senadora, ela funda em 1998 o partido Oxigênio Verde, que traz o objetivo de trazer novas esperanças à política da Colômbia que está marcada pela violência sectária e pela corrupção.

Interessada em promover o diálogo entre as diversas facções da guerra civil que há décadas dilacera a Colômbia, a jovem senadora resolveu em 2001 lançar sua candidatura às eleições presidenciais. No ano seguinte, durante uma viagem de campanha ao único município governado por um prefeito de seu partido, a candidata foi sequestrada por um comando das Farc, junto com diversos assessores e seguranças, num episódio até hoje mal explicado. 

Levada para o interior da selva em inúmeras viagens de barco, caminhão e marchas a pé, ela se vê repentinamente desligada do convívio dos amigos e da família, isolada do mundo exterior em meio a guerrilheiros fortemente armados. A autora passa mais de seis anos em poder das Farc. Sua visível agonia, documentada por cartas e “provas de vida” em vídeo, bem como sua libertação numa célebre e cinematográfica operação do Exército colombiano, em 2008, chamaria novamente as atenções do mundo para o conflito que atualmente ameaça a paz no continente sul-americano. 

Este livro é o relato contundente de sua experiência como prisioneira da guerrilha narcotraficante, em meio à fome, à doença e às humilhantes condições impostas pelos sequestradores. Os momentos mais dramáticos de sua longa crônica de desventuras certamente são as desesperadas tentativas de fuga.

Obrigada ao convívio quase permanente com os companheiros de sequestro, a autora relembra a rotina tensa do cativeiro, em que a posição de um colchão ou uma suspeita de favorecimento na distribuição de comida geravam desentendimentos por vezes violentos. Ingrid revisita os diversos acampamentos, mais ou menos provisórios, em que foi mantida prisioneira, associando-os às figuras sinistras dos diversos captores e carcereiros que fizeram parte de seu cotidiano ao longo dos anos. 

A autora retrata seus algozes sem rancor, descrevendo-os em sua miséria política e humana. O bem-sucedido fim do sequestro, em julho de 2008, encerra o livro num tom de cautelosa esperança, dedicado à preocupante situação dos reféns ainda em poder das Farc. É um livro muito bom que vale a pena ser lido.
 

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